16/12/09
Querido Oswaldo,
São muitas as horas que me angustiam. Sinto durante o dia, em vários períodos, que estou na prancha da loucura.
Vejo-me jogado num sofá velho, num domingo à tarde. Justamente aquela hora que as mães dão banho nas crianças. Eu não tenho quem me banhe.
Penso em coisas que ninguém nunca saberá.
Muitas são as horas de consciência da solidão, e cada vez mais escassas as ilusões de um sono reparador.
Não é que eu queira me afundar de vez nessa lama que eu mesmo criei. Talvez ela, a lama, já faça parte de mim. Estou derretendo, Oswaldo. Esse calor só me irrita.
Não sou como a maioria dos cariocas, talvez nem seja a maioria, não sinto conforto algum no verão.
Oswaldo, você sempre diz as coisas certas, ao menos elas me chegam no momento exato. Nem suas palavras hoje, salvariam a pátria.
Gostaria de escrever uma grande obra, um grande livro, um filme, de ter um filho… Ao menos teria a quem dar banho. Mas nada sai. Nem entra.
Estou afundando, Oswaldo. Só que dessa vez não me debato. Descobri uma beleza em ser apenas eu. Em ser apenas parte dessa sujeira toda.
Não tenho uísque em casa, a cerveja acabou. Não tenho companhia. A não ser a minha, é claro. O que só faz aumentar essa ausência brutal.
Com certeza você não receberá essa carta. Amanhã me perguntará como foi o domingo. Direi que foi ótimo!
criado por davidgarnie
19:19 — Arquivado em: 
